sexta-feira, 18 de junho de 2010

Voo da joaninha


Voava pelos campos a pequena Joaninha,
 Solta... Leve... Graciosa e sem tumultos.
Aqui se inebriava com o perfume de uma violeta,
ali desfolhava um - malmequer - bem me quer campestre.
Acolá saboreava uma maçã camoesa.
 (Era uma infância quase perfeita)
De repente, foi apanhada por um remoinho

que a transportou pelos ares instáveis
e alucinantes... Depois deste rodopio,
pousou numa amena clareira
rodeada de pequenas árvores: frescas e belas!
Brincou com elas - alegrou-se - e o tempo passou-se...
 Quando deu por isso, as árvores tinham crescido.
A clareira adensou-se... E o sol tinha-se ido...
 Às vezes, ele aparecia por entre um galho, mas depois desaparecia.
 O tempo urgia... E a Joaninha ensandecia…
Queria voltar à planície... Procurava uma brecha
mas a floresta era espessa!
Ficou presa nos galhos e só... Observava o Sol aos retalhos.
Esmorecia... Depois reflectia...
 Ensaiava um sorriso
 - parecia que estava a perder o juízo - 
e assim, anoitecia e amanhecia... Até que um dia, 
surgiu o raio de uma trovoada que explodiu...
Apagou-se a luz
 - o  PC finou-se - e
 acabou-se a história infeliz
 e sem glória! 

A:CamilaSB

2010 (imagem retirada da web)

domingo, 13 de junho de 2010

Sou o teu Berço


Sou terra, fogo, ar, água, montanha,
arco-íris que inclui todas as cores;
o aroma e a beleza que há nas flores.
Sou ave, peixe e tanta coisa estranha...

 Tu és pó - negligente - que se entranha

no verde e nas nuvens - sem temores -
és ambicioso e cheio de ardores...
 Eu sou rio que move a tua azenha,

sou fonte cristalina - pura vida -

 de azul pintei o céu, sonhei o mar...
Nenhuma cor - por mim - foi esquecida.

Sou Berço - Lua e Sol - a protestar

e estou em grande parte aborrecida
contigo que me estás a devastar.

A:CamilaSB
 
(imagem da web) 

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Sonho Lusitano

Ergui-me da vontade que incendeia
o sonho de um país à beira-mar,
fiz-me barco, zarpei… fui navegar
à procura do canto da sereia.

Remei, remei, nem rasto de sereia...
Só ondas e o mostrengo a bradar:

Quem és tu, que me vens desafiar?!
Enfrentei-o - à custa de uma ideia -

perseguindo a canção com que sonhei

 e que me incentivou a caminhar.
Lutei, penei... mas o sonho alcancei:

Encontrei terras belas, de pasmar
- descobri ouro e povos - conquistei

o mundo, e fui rei a velejar!

A:CamilaSB

2010 (imagem retirada da web)

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Criança


Meiguice, candura e encanto
Andorinha que anuncia a Primavera
A correr pelo mundo.
Quem me dera que todas as flores
Corressem felizes na Terra
Com mãe, pai, irmãos e pão.
Quem me dera
Que por ti os Homens parassem a guerra
Que por ti todos juntos dessem as mãos
Que por ti curassem os males da Terra.
Tolos dos Homens que erram tanto…
Meiguice, candura e encanto
Beijo-te os pés!

 A:CamilaSB

(criança é todos os dias e, o de hoje, é para todas elas…assim devia ser…)

2010 (imagem retirada da web)

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Esperança


As crianças observam as coisas com simplicidade
 e a esperança deposita nos seus gestos a grandiosidade da Vida.

A:CamilaSB

(foto de CamilaSB)

sábado, 22 de maio de 2010

Mar
















O mar
A suspirar
A lua a ocultar
As ondas a ondular
Na secura da dor de amar
A maré vazia... Cheia de esperar
Desnudo a alma dilacerada p’ra chorar
A minha solidão e o desprezo do teu olhar

Este abismal tormento: afogo nas águas do mar

A:CamilaSB

2010 (imagem retirada da web)

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Tocam os sinos


Na torre de uma igreja migram penas
alvas e negras - nela vão poisar -
Negras: tocam os sinos a chorar
pelas almas que partem tão serenas…

Instalam-se na torre outras penas,
vindas de longe para procriar
e os sinos da igreja a badalar,
chamam gentes devotas p’ras novenas.

E vêm de alvas vestes - de encantar -
à igreja casar vêm meninas
e os sinos não se cansam de tocar:

Aleluias a dar as boas vindas

às aves em seu ninho a gloterar
e ao baptismo de novas criancinhas.

A:CamilaSB
 
2010 (imagem retirada da web)