sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Povo do Rio de Moinhos

  Na minha aldeia
 o rio já não serpenteia.
 Já não sonham os moinhos novos
  e lamentam-se os velhinhos
 sem forças para moer o milho e o trigo.
A igreja tem um sino a badalar
para avisar as gentes
 sobre alguns acontecimentos...
  E no altar está um santo a rezar
  pedindo a Deus
 para iluminar os cérebros deste povo
  que luta e trabalha com esforço
  em busca do pão (que escasseia
na mesa dos mais pobrezinhos).
 Bom Jesus!
 Conduz as gentes desta aldeia
 por bons caminhos...
 Não os deixes a esmorecer
e a envelhecer
 entre as cortinas do abandono
 a observar as sombras da lua
 no leito do rio
sem águas para navegar
 e sem meios para sonhar...
 
A: CamilaSB
2012

 ( Moinho de água - Viseu - imagem da web )

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

A ganância de uns é a ruína de outros...


  A loucura que foi idealizada
por grupos poderosos - sem escrúpulos -
vendendo tudo a quem não tinha nada,
a fim de enriquecerem com os lucros

e o povo com a mente atordoada
comprou sonhos a crédito e com juros!
Comprou uma ilusão hipotecada,
vendeu a alma aos bancos por escudos...

Para agravar tudo veio o euro
tornar ainda mais caro o nosso pão
e a crise a crescer no desgoverno;

 a oprimir as gentes sem tostão...
Favorece o poder que tem dinheiro
e tira ao povo o tecto e o ganha-pão.

A: CamilaSB
 2012 

(imagem da web)

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Cálice da pontuação


Sou uma exclamação da vida
um ponto e vírgula a indagar
um travessão fora do lugar
uma vírgula mal colocada
a interrogação ao vento
dois pontos a prever
o que vou dizer
a seguir
nada
reticências
abrir aspas
sigo em
frente
idem  idem
sou um
 hífen
 encalhado
entre
dois
 tempos
o passado
 e o futuro
sou uma
 letra
 maiúscula
de uma
 classe
 gramatical
irrelevante
um parênteses eventual
uma chaveta que resume a vida
  a uma alínea indefinida e  ponto final

A: Camila Barroso
2012

sábado, 14 de julho de 2012

Recado da Mãe Natureza

Sacias
a tua sede
nas gotas frescas
das fontes, das serras e
dos rios. Nas águas cristalinas
vês o reflexo de ti
mesmo, da tua
conduta.
E Eu
pergunto: estás
satisfeito com a tua atitude?
Eu forneço-te o pão que recolhes
em mim, revolvendo-me… Eu dou-te tudo
que necessitas mas tu abusas… e feres-me.
Dou-te o fermento e o sal que retiras do mar e que é
o teu tempero… o teu sustento… tudo o que te alimenta
e tu… porque não me respeitas? Sou a tua fonte, a tua vida.
Devias comportar-te de outra forma … preservar- me … e
processar o lixo… que depositas no Verdenos mares e
em lugares impróprios… recicla-o, aproveita-o… e não
consumas tanto... não desperdices os bens que são
essenciais à tua vida e à minha. Ouve os meus
conselhos de Mãe e aplica-os no teu dia a
dia, porque Eu só quero o teu bem
e o de todos os seres que te
são semelhantes. 

A: CamilaSB
2012
(Recicla… a Mãe Natureza agradece…)
Ecopontos: Verde – vidro. Azul – papel. Amarelo – plástico e metal. :)

sábado, 23 de junho de 2012

Cor da minha vida


Sou palavra romântica nascida
do amor, da dor da flor, do sentimento,
do seio embaraçado pelo tempo;
sou semente serôdia florescida.

Sou fruto do centeio e da espiga,
tenho a cor do amor e do sofrimento;
o centeio partiu p´ra outro templo
é lembrança... É luz adormecida.

Sou grão que não se afasta da espiga,
 da flor a quem apoio ternamente...
  Hoje sou eu a mãe e tu a filha,

aquela que te abraça e compreende,
és a haste e a cor da minha vida
e ser filha ou mãe é para sempre!

A:CamilaSB
  2012
 (imagem da web)

sábado, 16 de junho de 2012

Minha Flor

                      ( FOTO de CamilaSB 1994 )                                    

Com retalhos de amor e carinho
concebi o teu vestido
Desenhei-o
em tons suaves de rosa e verde
e enfeitei-o
com flores e laços de seda
para te vestir doce princesa
  graciosa como uma flor.

A:CamilaSB
2012

sábado, 9 de junho de 2012

Esperei amor


 Esperei amor pelo teu sorriso
nas noites frias e amarguradas,
de amor sofrido e vidas afastadas
 por vontade e ironia do destino.

Voltaste com o sol e o teu carinho,
 tomaste-me em teus braços - ganhei asas -
finalmente de almas abraçadas,
despertamos as cores do infinito.

Partilhamos desejos e aventuras
de mãos entrelaçadas e envolventes,
umas vezes com sol, outras com chuvas

caminhamos na vida conscientes
e abraçamos os dias com ternuras
contemplando nascentes e poentes.

A:CamilaSB
2012 

(imagem da web)