Na minha aldeia
o rio já não serpenteia.
Já não sonham os moinhos novos
e lamentam-se os velhinhos
sem forças para moer o milho e o trigo.
A igreja tem um sino a badalar
para avisar as gentes
sobre alguns acontecimentos...
E no altar está um santo a rezar
pedindo a Deus
para iluminar os cérebros deste povo
que luta e trabalha com esforço
em busca do pão (que escasseia
na mesa dos mais pobrezinhos).
Bom Jesus!
Conduz as gentes desta aldeia
por bons caminhos...
Não os deixes a esmorecer
e a envelhecer
entre as cortinas do abandono
a observar as sombras da lua
no leito do rio
sem águas para navegar
e sem meios para sonhar...
A: CamilaSB
2012
( Moinho de água - Viseu - imagem da web )
( Moinho de água - Viseu - imagem da web )




