sábado, 13 de outubro de 2012

Sobrecarga


É tão grande a carga na carroça
que se alçou e fiquei presa no ar,
suspensa pelos freios a alombar
a carga brutal que me foi imposta.

Não sou piegas e estou disposta
a trilhar o caminho e a avançar.
Mas assim... não dá para continuar...
Retira a sobrecarga da carroça

e carrega o coche imponente
que se passeia livre e com luxo.
(Não sou asno seu tonto... Eu sou gente!)

Age de modo douto e sê justo
e pára de oprimir a boa gente
que anda já cansada deste jugo! 

A: CamilaSB
2012

(Imagem da web)

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Símbolo da paz

 
  ( Foto de CamilaSB ) 

No meu Jardim floresce a oliveira
com frutos, verde e ouro sem-igual!
De tronco resistente e ancestral
é rainha em terras cá da Beira.

Insígnia de Atena-A-Guerreira,
que numa alegoria excepcional   
suplantou o poder do seu rival
com a nobre e profícua oliveira!

Abençoada por deuses gloriosos
é símbolo da paz, luz e verdade;
ideais de harmonia entre povos

que lutam com amor e dignidade
p'ra cultivar o bem - unindo esforços -
na busca de paz e prosperidade.

A: CamilaSB
2012

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Taça vazia


Sentes o vazio das cores no voo ensaiado dos passarinhos.
Primeiro voou um… depois o outro… e para teu desalento
voou o último… foram-se todos… perseguindo os sonhos
que sonhaste para eles. Afliges-te com a perspectiva
dos seus voos, sacodes as penas e disfarças
o choro com um sorriso entreaberto
na angústia dos dias
prelúdio de
solidão
Calaram-se
as vozes
os risos
os dias
plenos
de sabores
a algodão doce.
Resta-te apenas, aguardar
 o voo inverso e ocasional pelo qual esperas. Agitas as asas e debicas palhinhas ajeitando o ninho com fragrâncias de ternura. Ficas à espera dos passarinhos e, quando eles regressam, abrem-se de novo as cores da Primavera. A atmosfera enche-se com os seus trinares joviais. Mas, na efemeridade do acontecimento, o voo migratório acontece de novo... e então... acomodas as penas reconfortada nas lembranças e vagueias pelos dias, em voos concertados, na inconstância das migrações ocasionais. Absorta... lanças um último olhar em direcção ao seu voo e vês as silhuetas dos teus passarinhos a afastarem-se cada vez mais. Manténs-te assim por um bom tempo, sem conseguires discernir coisa alguma na linha do horizonte. Depois recompões-te, e ficas a aguardar outro voo inverso e ocasional dos teus passarinhos. Entretanto, entregas-te aos dias e ao Sol que umas vezes aparece e outras se esconde... Aprendes a caminhar pelas veredas outonais com outros ritmos e outros sorrisos. Passas as mãos pelas lembranças macias e prossegues na lida - por entre as cores um pouco desbotadas dos dias - descobrindo novos rumos e outros encantos e desencantos que te oferece a vida...
 A: Camila SB
 2012


sábado, 22 de setembro de 2012

Gestos


Se cada um de nós quisesse… um  gesto… seria  o suficiente
para haver algum equilíbrio
entre
o muito... e o pouco...
Se o rico tivesse o bastante desprendimento
para repartir com o pobre o que a ele lhe sobra
De volta, receberia alegria em dobro
Deste modo, haveria
 menos fome no mundo
E
se o sistema político dirigisse os recursos
com mais probidade e equidade
 tudo seria
 bem melhor e mais justo...
Neste caminhar constante por um rumo ideal
é essencial
compartilhar o amor
 a alegria e a dor
Dividir
o muito... e o pouco...
para alcançar o suficiente
nem pouco amor...  nem muito sofrimento...

A: CamilaSB
2012

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Povo do Rio de Moinhos

  Na minha aldeia
 o rio já não serpenteia.
 Já não sonham os moinhos novos
  e lamentam-se os velhinhos
 sem forças para moer o milho e o trigo.
A igreja tem um sino a badalar
para avisar as gentes
 sobre alguns acontecimentos...
  E no altar está um santo a rezar
  pedindo a Deus
 para iluminar os cérebros deste povo
  que luta e trabalha com esforço
  em busca do pão (que escasseia
na mesa dos mais pobrezinhos).
 Bom Jesus!
 Conduz as gentes desta aldeia
 por bons caminhos...
 Não os deixes a esmorecer
e a envelhecer
 entre as cortinas do abandono
 a observar as sombras da lua
 no leito do rio
sem águas para navegar
 e sem meios para sonhar...
 
A: CamilaSB
2012

 ( Moinho de água - Viseu - imagem da web )